como habitualmente, ao sábado

hoje caiu neve, pouca, é certo, mas caiu. hoje comprei o jornal como sempre compro ao sábado. hoje, curiosamente, não me apeteceu passear com a minha câmara fotográfica, como habitualmente ao sábado. não registei nenhuma imagem em silício, para além das que ficaram nos sais de prata da minha memória. as imagens onde fixo o meu olhar são as que sempre me ocorrem quando choro. hoje está frio. hoje não pensei porque o pensamento não é a razão, a razão é o sentimento. hoje nevou, mas não caiu neve. comprei o jornal e não o paguei, porque não gosto de pagar os jornais, como não gosto de os ler ao sábado. a minha câmara fotográfica não me compreende, mas tem razão porque não pensa. a minha memória sente-me e gosta de mim e eu dela. não gosto da minha memória porque me atraiçoa. para além da minha memória só o vendedor de jornais me conhece e me sente. é um bom homem o vendedor de jornais, porque sabe ver a neve onde mais ninguém a vê. hoje está frio e a as pessoas suam de tanto calor. sinto quente na minha câmara fotográfica porque nevou. hoje nevou e estou cansado, por isso não fotografei como habitualmente ao sábado.

(Paulo Pinto)

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