Arte, cultura, que futuro?

“Sente-se prazer em estar num barco batido pela tempestade quando se tem a certeza que ele não naufragará” ( Pascal, 1998: 367).

No início do século XX, assistimos ao surgimento do fenómeno da cultura de massas, contribuindo para isso o desenvolvimento de tecnologias ligadas aos meios de comunicação social (mass media), veículos de transmissão dessa cultura. No século XXI, qualquer um dispõe dos meios para produzir fotografia, fazer filmes, etc. Com os meios digitais massificou-se a forma de fazer cultura.

Discutimos o futuro da arte, da cultura, colocamos em causa a existência de públicos, a qualidade das obras… Mas independentemente desta reflexão, a arte não acaba, transforma-se, reinventa-se, mas não naufragará, como diz Pascal.

Em relação ao teatro, muitas reflexões têm existido ao longo dos últimos anos, destacando-se Augusto Boal como um dos promotores da mudança: “Todos podem fazer teatro, até os actores, e em toda a parte se pode fazer teatro, até nos teatros”.

Por sua vez, Rui Madeira, a propósito do “Último Acto”, diz: “Continuamos a querer implicar o público nisto. Exigindo dele. Colocando-o como actor da história…”

Já Peter Brook (2008:205) apela a uma união teatro+vida:  “Na vida quotidiana, ‘se’ é uma ficção; no teatro, ‘se’ é uma experiência. Na vida quotidiana, ‘se’ é uma evasão; no teatro, ‘se’ é a verdade. Quando estivermos prontos para acreditar nesta verdade, então o teatro e a vida serão um só.”

O futuro da arte, da cultura, do público?…

 Se não procuras respostas, mas reflexão e até vontade de fugir… de cena, não percas o “Ultimo Acto”, pela Companhia de Teatro Braga.

Theatro Circo - Braga

“A Companhia de Teatro de Braga estreia Último Acto, um espectáculo de Rui Madeira, Anna Langhoff e Alexej Schipenko, às 21h30, no Pequeno Auditório do Theatro Circo. Composto pelo texto homónimo de Anna Langhoff e pelo texto Arte do Futuro de Alexej Schipenko, a peça conta com a interpretação de Solange Sá, Waldemar de Sousa, Rogério Boane, Frederico Bustorff Madeira e Vicente Magalhães.

Último Acto é um retrato cruel e cómico sobre as relações de poder no teatro, um olhar descarnado sobre as práticas e a cultura teatrais, onde o público é parte implicada e assume o papel de actor da história, pois, realça o director da CTB, «se morrerem os artistas, o público também não se salva, e o caos instala-se a partir da Morte da Arte, por mais ministros e directores-gerais que o não entendam.»

Em cena, em Braga, até 20 de Janeiro (21h30), o espectáculo segue, depois, para Coimbra, onde será apresentado no Teatro da Cerca de São Bernardo, a 28 e 29 de Janeiro, juntamente com A Cabeça do Baptista, peça de Ramón del Valle-Inclán e encenação de Manuel Guede Oliva. Em Março, de 22 a 25, Último Acto volta ao Theatro Circo para mais uma série de espectáculos.”

By Conceição Gonçalves, Celeste Semanas e José Manuel Costa

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