Tibães… Espaço de memória de uma comunidade

No âmbito do mestrado “Comunicação, arte e cultura”, no dia 15 de Novembro tivemos uma aula de campo no Mosteiro de Tibães.

A visita conduzida pela Dra. Aida Mata (antiga Diretora do Mosteiro), contou ainda com a presença Dr. Mário Brito (Coordenador atual), do Prof. Miguel Bandeira (Presidente do Instituto de Ciências Sociais) e Prof. Albertino Gonçalves (Diretor do mestrado).

Início da visita

Seguem-se algumas reflexões e fotografia acerca desta aula.

Bourdieu e Alain Darbel (1969) falaram-nos na dificuldade em alargar e aumentar o público que frequenta os museus e exposições.

Procuraram na sua obra, demonstrar que a maior ou menor apetência pela frequência dos museus e acontecimentos culturais, o “amor pela arte”, depende pouco dos níveis de rendimento ou dos índices de propriedade económica. Não é tornando os museus economicamente mais acessíveis, ou até com entradas gratuitas, que se consegue aumentar a afluência de público a estes espaços culturais, porque os factores condicionantes são de outra ordem, nomeadamente cultural e simbólica. Segundo os mesmos autores, o que condiciona a probabilidade de ir aos museus é o capital cultural, mais precisamente o capital escolar dos pais e, sobretudo, da própria pessoa.

Coro Alto – Cadeira central - Lado inferior com pequena mísula com forma fantasiosa

Margarida Faria (1995) contraria este determinismo de P. Bourdieu e A. Darbel. Defende que os públicos dos museus se têm vindo a alargar graças ao que Norbert Elias (1989) designou por “um processo de democratização funcional”. Certos grupos sociais entram nos museus porque sofreram os efeitos de um processo civilizacional.

Panorâmica no interior da igreja

Em Tibães assistimos a uma grande aproximação da população local ao Mosteiro que demonstra um grande respeito e orgulho por este património. O segredo talvez esteja nas palavras de Santo Agostinho, mas proferidas pela Doutora Aida Mata: “existem três tempos, passado – memória, presente – vida e futuro – espera”. No património cultural as memórias são recriadas e, para a Dra. Aida Mata, o museu desenvolveu-se assentando em três pilares: ESCOLA, MUSEU e COMUNIDADE.

Maquete do mosteiro

A História deste museu passa por uma grande aproximação à comunidade, pela valorização do seu património cultural e na sua inserção nas actividades do Mosteiro de Tibães. São disso exemplo a valorização da agricultura e dos instrumentos de trabalho, do ciclo dos trabalhos do campo: vindimas, apanha do linho, desfolhada, festa de S. Bento, etc.

Deste modo, a comunidade não se sente “excluída” deste local de cultura, sente, pelo contrário, que a sua memória passa por aqui!

Trilhos do tempo gravados na pedra que patenteiam a história do Mosteiro de Tibães

By Conceição Gonçalves, Celeste Semanas e José Manuel Costa

One response to “Tibães… Espaço de memória de uma comunidade”

  1. Paulo Pinto says :

    Gostei da abordagem e contextualização sociológica.

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