Inovação e inclusão na cultura vimaranense

Centro Cultural Vila Flor - Guimarães

Da sessão de trabalho que teve lugar ontem, no foyer do Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor, inserida no ciclo Percursos Profissionais na Área da Cultura organizado pelo Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura da UM, emergem várias questões relacionadas com as políticas e práticas culturais em curso no Centro Cultural Vila Flor que, de resto, foram sendo levantadas durante o diálogo encetado entre os mestrandos e José Bastos, director da instituição.  Igualmente  importante é o contributo que a Capital Europeia da Cultura CEC 2012 trará à cidade no que diz respeito ao legado e sustentabilidade dos projectos em curso. A partir da apresentação realizada por Carlos Martins, director executivo da CEC 2012, foi possível entender os princípios subjacentes ao processo de candidatura encetado pela autarquia, bem como a posterior materialização e plano de gestão.

Valerá a pena começarmos pela referência ao processo de democracia cultural em curso na cidade, veiculado através da política de programação do espaço cultural por excelência da cidade, o CCVF. Se a democratização cultural implica questões como a “agenda do acesso” – a oportunidade de acesso às actividades culturais -, quando falamos de democracia – termo que José Bastos entende melhor coadunar-se com a missão da instituição – temos, obrigatoriamente, que falar do “código do acesso”. Que mecanismos de descodificação estão à disposição do frequentador do CCVF na hora de interpretar as propostas culturais? Quão difícil e arriscada se revela a aposta numa programação de cariz predominantemente contemporâneo? A resposta chega-nos através das várias acções de sensibilização que o CCVF programa na forma de Workshops e sessões de discussão, pré e pós espectáculo. Um dos exemplos desta preocupação são as sessões do Café Falado, uma iniciativa que visa dar voz  ao público do centro, fazendo-o participar activamente e, dessa forma, diluir a dicotomia que representa o binómio criador/fruidor.

À pergunta “Que cidade queremos?”, vem a CEC 2012 dar uma resposta que coloque Guimarães na senda das cidades criativas. Através de uma relação estreita entre cultura e economia, dois pilares essenciais para o desenvolvimento das sociedades, segundo Carlos Martins, vários processos estão em curso na cidade. Desde logo, a grande fatia de investimento (cerca de 71 milhões de euros) é absorvida pelas infraestruturas que dotarão a cidade de espaços de criação e produção cultural, atraindo artistas das mais variadas áreas e convidando-os a prolongar a sua estada na cidade. Para o director executivo da CEC 2012, é importante o que fica para além do evento como capital económico e cultural, e que projectará a cidade dentro e fora das fronteiras físicas do país. Guimarães vê-se contemplada num terceiro ciclo de atribuições que confere às cidades mais pequenas a possibilidade de se desenvolverem segundo os novos paradigmas simbólicos da cultura. Numa época em que a divisão entre alta e baixa cultura já não faz sentido, Guimarães trilha caminhos de inovação e empreendedorismo necessários à revitalização do seu tecido económico e cultural. Inverter lógicas e abandonar práticas em processo de esvaziamento é um dos objectivos do evento, que não pretende ser trampolim para manifestações artísticas sonantes, mas antes um projecto assente na sustentabilidade.

Como poderá a cidade beneficiar deste importante momento da sua história? Aproveitar as sinergias que se estabelecerão entre os diversos agentes que compõem o seu tecido social, económico e cultural é, seguramente, um dos caminhos a seguir. O outro passará, obrigatoriamente, por tornar o investimento da CEC 2012 superavitário. Se em relação à economia os processos de aferição são sobejamente conhecidos, em relação à cultura importa perscrutar os efeitos que estas políticas provocam em cada indivíduo. Ainda que mecanismos ligados ao storytelling possam ajudar, pugnar pela democracia cultural parece-me um nobre e acertado ponto de partida.

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