Outra Natureza – Recuperação e reabilitação de espaços como motor de promoção cultural.

A recuperação, reabilitação e requalificação são termos que se referem às intervenções necessárias num imóvel (histórico ou não) e espaços públicos. Intervenções que implicam obras estruturais de beneficiação; visando aumentar a vida útil do imóvel e melhorar a qualidade de usufruto do espaço. Estas acções obedecem a critérios específicos, tais como; apresentarem um significado histórico, serem memórias da fixação humana e das suas actividades, como também, expressão de um movimento ou corrente arquitectónica com uma influência relevante na localidade ou região.

É importante ressaltar que a salvaguarda destes espaços é uma questão essencialmente cultural e que nos últimos anos se desenvolveu uma preocupação das entidades estatais em criar políticas culturais que permitam a instrumentalização destes espaços reabilitados e requalificados para a promoção e divulgação de diversas actividades culturais. Este objectivo pode ser alcançado aliciando a participação da sociedade civil e desafiando entidades privadas a investirem em projectos que permitam o acesso da população e visitantes a diferentes formas de expressão artística.

Outra Natureza

Neste âmbito, a Câmara de Melgaço tem sido pioneira e exemplar na criação de instrumentos de execução e promoção cultural. A partir da recuperação da Torre de Menagem – que valoriza o património histórico que o monumento representa para a cidade e que dispõe no seu interior de um espaço destinado a exposição do acervo arqueológico da localidade, desde a Pré-história até à Idade Contemporânea, passando pelas Ruínas Arqueológicas da Praça da República – representação da história medieval do conselho, como também o Núcleo Museológico de Castro Laboreiro que tem anexado uma casa tipicamente castreja e que teve a colaboração directa dos locais através da doação de pertences pessoais para a recriação de um ambiente doméstico como representação dos costumes e vivências da freguesia. Ou ainda a recuperação do prédio da Antiga Guarda-Fiscal para instalação do Museu do Cinema, que é constituído por um espólio significativo desta arte e que foi doado por Jean Loup Passek. No Museu do Cinema são realizadas, desde 2005 até ao presente, Exposições Temporárias com incidência em variadas tendências ou correntes cinematográficas.

Outro exemplo a destacar é o Mosteiro São Martinho de Tibães. Este património museológico, que através de uma reabilitação e recuperação minuciosa fruto de uma pesquisa exaustiva e sensível às representações e costumes culturais da localidade, está direccionado para interacção com o território em que se encontra. Tem ainda como objectivo ampliar o seu impacto a nível nacional e internacional através de actividades e eventos que propiciem a vinda das pessoas ao espaço.

A recuperação de espaços públicos e a utilização dos mesmos para manifestações e promoções culturais poderá ser o binómio destacado para uma estratégia de novos usos que, provavelmente, substituirão antigas práticas de exploração industrial, comercial ou, simplesmente, a degradação.

É  de  assinalar  o  trabalho  arquitectónico   desenvolvido  a  partir   do Palácio Vila  Flor  e  a criação  adjacente do Centro Cultural Vila Flor. Um espaço de referência e pensado com o propósito de dar forma e vida ao percurso cultural da cidade.

É também, com a preocupação de reabilitar e requalificar as infra-estruturas da cidade de Guimarães, que o projecto Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura destina uma grande parte do seu orçamento na recuperação e criação de espaços que valorizem a qualidade de vida urbana e sejam activos na oferta de produtos culturais, no presente e futuro da cidade. Para este efeito, serão desenvolvidos vários projectos, como por exemplo: Campurbis – parceria da Câmara Municipal de Guimarães e da Universidade do Minho, que pretende revitalizar uma área antiga da cidade, numa perspectiva de “Universidade sem muros”; Espaços Públicos – projectos de regeneração e intervenções no Monte Latito e Campo São Mamede, no Toural e no Largo do Carmo; Plataforma das Artes e Criatividade – que visa a transformação do Antigo Mercado de Guimarães num espaço multi-funcional, dedicado à actividade artística, cultural e económico-social e ainda a Residência de Artistas – recuperação de dois edifícios no centro histórico da cidade com o propósito de servir de alojamento temporário para artistas e criativos que se desloquem a Guimarães para produzir ou expor o seu trabalho.

Encontrar um conjunto de valências que melhorem a permanência e uso do espaço, será definitivamente o caminho a seguir. E em Braga, apesar de escassos casos, o Estaleiro Cultural Velha – a – Branca é um feliz exemplo. A cooperativa, que é gerida por voluntários, está localizada no centro histórico de Braga num edifício do séc. XVIII. As diversas actividades culturais, pedagógicas e produções artísticas têm permitido aos habitantes locais e visitantes desfrutarem de um ambiente acolhedor e com um jardim estruturado em patamares.

Pode, ainda, referir-se que a revitalização e animação dos espaços públicos são uma das formas encontradas para aproximação das artes per-formativas, como o teatro ou grupos musicais, à população. A Mimarte – Festival de Teatro de Braga, tem marcado posição durante as noites de verão (uma semana em Junho/Julho) com representações no Rossio da Sé, Theatro Circo e Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa.

(Imagem retirada daqui)

O património é vivo e alimenta-se das pessoas que o rodeiam. Portanto, é essencial partir do espaço  inerente na localidade e que representa a sua memória, a fim de motivar a população ao consumo e também à produção de bens artísticos. É através da recuperação, reabilitação e requalificação de bens (públicos ou privados) que o interesse e a curiosidade para as artes e bens culturais podem ser despertados. Pois estes espaços, ao invés de se deteriorarem encontram uma função real e presente na localidade em que estão inseridos e passam a fazer, efectivamente, parte da vida das pessoas. O próprio uso e recuperação de edifícios, propriedades devolutas, ruas, parques, entre outros; para a promoção e divulgação de produtos artísticos é também uma forma de comunicação sobre as artes e actividades culturais realizados neste mesmo espaço. Para além, de que criam sinergia e intercâmbio entre artistas, mediadores e população.

Angelita Santos

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