100 Anos de Titanic

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Este trabalho pretende abordar a sétima arte: a arte cinematográfica. O cinema pode ser entendido como as reflexões de cada realizador, daí muitas vezes se questionar se será uma arte, ou mais concretamente, se todos os filmes realizados o serão. Considero o cinema uma arte, pois consegue reunir linguagem, expressão, dimensão plástica, movimento, pintura, arquitectura, escultura, ritmo, música e poesia.

Assim, este trabalho centra-se na história que envolve o Titanic. Este ano comemora-se 100 anos apos a tragédia que o envolveu, e em torno disto, têm-se realizado diversificadas homenagens e recriações da trágica viagem.

A história do Titanic e de dois outros navios começou num jantar na mansão londrina de James P. Morgan, sócio maioritário dos maiores estaleiros do mundo, Harland & Wolff.

O jantar realizou-se a 10 de Junho de 1907 com Bruce Ismay, presidente da “White Star Line”. Ficou decidida a construção dos três maiores navios do mundo: o Olympic, o Titanic e o Jagantic que, após a tragédia com o Titanic, seria rebatizado de Britanic. O objetivo era concorrer na rota do Atlântico com a Cunard Line, proprietária das embarcações Mauritânia e Lusitânia.

Embora a companhia de navegação “White Star Line” tivesse sido fundada em 1869 na Inglaterra, só desde 1902 é que começou a fazer parte de uma holding norte-americana chamada “International Mercantil Marine”.

O seu presidente era Bruce Ismay, apontado por muitos historiadores como o principal causador da tragédia do Titanic. Foi um dos passageiros do Titanic na viagem de inauguração e foi quem deu ordens ao capitão Smith para viajar à velocidade máxima, mesmo numa zona perigosa.

Não morreu no acidente, pois ocupou o lugar de uma senhora num dos botes salva-vidas. Foi posteriormente rejeitado pela sociedade britânica, embora, para mim, apenas tenha seguido as leis da sobrevivência.

A 31 de Março de 1909, foi iniciada a construção do Titanic. A construção do navio custou à White Star Line 10 milhões de dólares de 1912, que atualmente correspondem a 1000 milhões de Euros.

Foi lançado à água no dia 31 de Maio de 1911. Foi um acto impressionante, assim como tudo o que caracterizava o Titanic.

A viagem de inauguração foi a 10 de Abril de 1912.

Para comandar esta embarcação tinha sido escolhido com o máximo de cuidado o Capitão Edward J. Smith, antigo comandante da Olympic. Conhecido por “capitão dos ricos” visto ser ele quem comandava os navios de luxo. Depois de 35 anos de trabalho esta seria a sua última viagem esperando-o uma merecida reforma.

Willian Murdock, 1º oficial do navio, teve um papel muito importante na história do Titanic, tanto pelo papel que desempenhava no navio, como pelo seu comportamento pessoal e a coragem demonstrada no momento da colisão com o iceberg.

O papel deste oficial foi importante durante a evacuação dos passageiros. Era o responsável pela coberta “A” e, ao contrário do que se passava nas outras cobertas, ordenou que enchessem completamente os botes salva-vidas mesmo que fosse com homens. Graças a esta ordem 80% dos homens que se salvaram, a ele devem a vida. Todavia não aconteceu o mesmo na coberta “B”, uma vez que os botes foram lançados para o mar com 15 pessoas, em vez de 72 que era a sua capacidade.

No dia 14 deu-se a tragédia e Murdock morreu congelado, assim como muitos outros tripulantes.

Relativamente ao filme Titanic, a história parte de um pressuposto interessante: a procura pelo diamante que pertencera a Luís XVI e que se acreditava ter naufragado juntamente com o Titanic. Brock Lovett descobre uma pintura íntima de uma linda mulher usando o tal colar de diamantes, conhecido actualmente pelo “Coração do Oceano”. O retrato aparece num programa de televisão e é nessa altura que uma senhora idosa entra em cena, dizendo ser a mulher do retrato. A partir daí, conta a sua história de amor e sobrevivência no navio que era considerado “indestrutível”.

Costuma-se dizer que existem dois grupos de pessoas: os que adoram e os que detestam o filme. Faço parte do grupo de pessoas que adoram o filme. Considero que o Titanic continua a ser uma das grandes obras-primas do cinema moderno, um verdadeiro gigante cinematográfico que não deixa ninguém indiferente. Não foi à toa que o filme recebeu 11 Óscares da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Em 1997 não houve nenhum filme que se comparasse ao “Titanic”, sendo que o filme arrecadou 76 prémios e mais 48 nomeações a nível mundial. No que respeita à história já todos a conhecem: Jack e Rose conhecem-se a bordo do maior e mais luxuoso navio da altura. Oriundos de classes sociais completamente diferentes, os dois jovens acabam por se apaixonar e viver um amor proibido, até que na madrugada de 15 de Abril de 1912 o navio colide com um iceberg e inicia uma fatal descida até aos confins mais profundos do oceano. Assim começa uma desesperada batalha pela sobrevivência.

A nível técnico o filme é excelente, desde os efeitos especiais que não têm uma única falha, à banda sonora de James Horner que nos faz vibrar, ao guarda-roupa, à direcção artística. A realização de James Cameron é notável e o seu argumento é comovente e envolvente. As diferenças de classe social estão extraordinariamente bem retratadas, sendo mesmo um dos pontos fortes do filme. As interpretações dos actores e a banda sonora dão uma tonalidade dramática inesquecível ao filme.

Em Agosto de 2010 saiu o Titanic 2, com uma história semelhante. Neste filme, a tragédia dá-se devido a um tsunami. Jack morre congelado mas ao fim de 90 anos ressuscita. Jack vê-se num mundo completamente novo e procura desesperadamente por Rose que já falecera.

Passaram 100 anos após a tragédia.

James Cameron surpreendeu-nos a todos com a versão do filme em 3D. Muitas têm sido as críticas em relação ao filme. Vi a nova versão do filme, ouvi bastantes críticas quanto à qualidade deste e às verdadeiras intenções do realizador ao recriar o Titanic. Muitos acreditam que existe uma obsessão capitalista pelo lucro máximo. Até pode ser, mas para não faz muito sentido, uma vez com “Avatar” Cameron ganhou bastante dinheiro e superou as vendas de bilheteira. Ainda em relação às críticas, houve uma que me surpreendeu pelo exagero: na China as imagens dos seios de Kate Winslet foram censuradas, pois “Considerando os efeitos do 3D, nós temíamos que os espectadores tentassem alcançá-los com as mãos, o que poderia prejudicar a visão de outras pessoas nos assentos das salas de cinema. Então, decidimos cortar as cenas de nudez” (podem ler o resto da notícia em http://www.resumodanoticia.com/2012/04/seios-de-kate-winslet-no-filme-titanic.html). A verdade é que esta cena é extremamente provocatória, podendo ferir a sensibilidade de alguns expectadores.

Rever o filme foi simplesmente espectacular. O facto de já conhecer a história fez com estivesse mais atenta a detalhes que anteriormente passaram despercebidos, como por exemplo a música. As cenas em que se ouvia a música foram extremamente bem pensadas, atribuindo-lhes uma tonalidade dramática capaz de comover os expectadores. Outra cena dramática é quando o navio parte, pois através de detalhes como a água temos a sensação de estar na embarcação e de estar a viver aquela tragédia na primeira pessoa.

James Cameron foi extremamente ambicioso. Gastou tanto para recriar com exactidão o Titanic que o filme ficou mais caro que o próprio navio. Estabeleceu prazos de produção, chateou-se com o estúdio para que o filme tivesse as exatamente 3 horas e 14 minutos de duração, o que equivale a 300 mil fotogramas. Antes do lançamento, predominava a desconfiança.

Foram diversos os fatores que levaram ao sucesso desta recriação. Quase duas décadas depois, o filme Titanic ainda impressiona pelo espetacular trabalho na cenografia e direção de arte. Seja na recriação do verdadeiro Titanic ou quando o navio naufraga, a riqueza e o requinte dos detalhes chamam a atenção. A complexidade do naufrágio, exibido quase em tempo real em relação ao evento verídico, demonstra não apenas a excelência técnica mas também a capacidade de James Cameron, no sentido de cobrir cada passo da tragédia com uma história envolvente. A história de amor entre Jack e Rose foi o veículo utilizado por Cameron para nos conduzir para esta viagem.

Têm sido feitas várias homenagens ao longo dos tempos, mas destaco as mais importantes. Em Belfast foi criado um muse,u cujo investimento ronda os 97 milhões de libras, e que foi projetado para ser um marco cultural e arquitetónico da capital da Irlanda do Norte, atraindo visitantes para a cidade. Com seis andares, o edifício foi erguido nas docas da cidade onde o navio foi projetado e construído, ao longo de três anos. Uma exposição interativa retrata todos os passos desde a construção ao lançamento do Titanic, assim como dá a conhecer imagens atuais da embarcação no fundo do mar. Foi recriado o momento do acidente, com depoimentos de sobreviventes.

No total, são nove galerias, que exibem não apenas situações relacionadas ao navio, mas também relativas à cidade de Belfast no começo do século passado. Foram recriados o famoso salão de jantar e a famosa escadaria.

Em Liverpool, o Merseyside Maritime Museum inaugurou uma grande exposição, que explora o papel da cidade, e os seus moradores, na história do navio, que foi registado na cidade. Em Washington D.C. o National Geographic Museum inaugurou uma outra exposição, denominada de “Titanic, 100 anos de obsessão”.

No que respeita à viagem em si, um navio de cruzeiro Balmoral recriou a famosa viagem o Titanic e, como tal, não podiam faltar os protagonistas. Um casal recém-casado decidiu passar a sua lua-de-mel no navio por este ter um significado especial.

Findo, este trabalho é possível perceber que a simples história de um navio originou um filme que nos conta uma bela história de amor mas também uma tragédia que ainda hoje nos choca. Assim, pode-se considerar o cinema uma arte capaz de entreter, educar e/ou doutrinar, podendo influenciar os cidadãos.

Bibliografia Electrónica:

Teresa Antunes PG20955

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