Carmina Burana, de Carl Orff a Jesus Del Campo (pg20951)

Carmina Burana é uma cantata cênica de poesias latinas medievais, pretendida para ser representada e dançada, posta sobre textos em baixo latim e baixo alemão, os quais foram extraídos de uma colocação de duzentas peças poéticas diversas compiladas nos finais do século XIII. A maioria dos mais de duzentos poemas sacros e seculares remonta a esse mesmo século e foi escrita por um grupo profano de errantes chamados Goliardos. Estes monges e menestréis desgarrados passavam o seu tempo deliciando-se com os prazeres da carne e os poemas que eles deixaram, faziam a crônica das suas obsessões por vezes ao ponto da obscenidade. Este manuscrito abrange todos os géneros, de versificação erudita a paródias de textos sacros, incluindo canções de amor e melodias irreverentes e até grosseiras. O facto de que o texto original destes Poemas de Benediktbeuren seja executada hoje em dia com tão extraordinário sucesso artístico, permite ao ouvinte discernir ainda melhor as intenções de Orff onde sua música não se expressa claramente.

Como uma antologia, Carmina Burana apresenta tudo o que o mundo cristão entre os séculos XI e XII fora capaz de exprimir. Aquela época não foi seccionada como a nossa, nem inibida pelos nossos tabus. Assim, os autores anônimos dessas saturnálias escritas não temiam espalhar a chama incandescida pelo contacto inesperado de uma melodia litúrgica e uma blasfémia, mais precisamente um priapismo verbal, ou inversamente de uma nova melodia profana e uma profissão de fé.

Neste sentido, a coleção original restaura para nós, todo um cosmo onde o Bem não existe sem o Mal, o sacro sem o profano e a fé sem maldições e dúvidas: a oscilação onde se encontra a grandeza da Humanidade.

A dialética freudiana foi necessária para a redescoberta deste humanismo medieval até então considerada bárbara e cruel, uma vitalidade que permitiu ao homem sobreviver ao sofrimento da guerra, o mundo infestado pela praga em que ele era submetido à injustiça, à instabilidade, e mantido na ignorância de tudo que não fosse santificado pelo dogma. Sabemos que insultos dirigidos contra a autoridade, palavras ofensivas e blasfémias que temperavam de maneira acre a expressão dessa energia vital eram herdadas do mundo antigo e chegaram ao começo do renascimento na tradição dos Carnavais e Triunfos que Lorenzo de Medicis e Rabelais ilustrariam, cada qual por sua vez. Esta genealogia espiritual era tão familiar a Orff que ele concebeu Carmina Burana como apenas o primeiro elemento de uma trilogia intitulada Trionfi-Trittico Teatrale, que incluiria Catulli Carmina (1943) e Trionfi dell’Afrodite (1952), uma obra que revelou a significação do todo: só o Desejo e o Amor podem capacitar o Homem a viver, lutar e crer.

http://www.youtube.com/watch?v=njowQ_JCfeI

Dj de música techno que começa por tocar em clubes em 1989, no início da sua carreira no Djing começou por tocar música disco que era o mais rítmico e mais parecido com os seus gostos musicais e o máximo que podia “passar” naquele momento, para ouvir a música que tanto admirava tinha que comprar os discos na Alemanha ou e Madrid pois o techno era ainda muito pouco divulgado e as massas desconheciam totalmente o estilo. Na Galiza foi pioneiro e promotor deste estilo de música, trabalhou como residente em Vários dos mais conceituados clubes da península ibérica. Um deles era Rust, onde trabalhou como residente por 4 anos e meio, vindo mais tarde a tornar-se no primeiro clube techno da Galiza. Jesus del Campo combina o seu trabalho entre a Espanha e Portugal e participou nos mais importantes festivais do nosso território nacional, Satisfaxion, Festidance 2001, 2002, 2003, 2002 e 2003,Aquasella, etc. Portugal é sem dúvida o país onde mais trabalhou e onde é reconhecido como um dos maiores entre os maiores no mundo da música Techno. Isto é evidenciado pela sua presença em eventos importantes em diversos anos, incluindo: Dancefields festival, uma semana num paraíso chamado Portugal, Tecnolandia, Festival Parade Elektro Supersonic. A etapa que mais marcou o Dj foram os 5 anos em que trabalhou na “OXIDO”, e foi durante esses anos que recriou a obra de Carl Orff “ Carmina Burana” ao estilo techno e dedicada a um público completamente diferente do público que apreciava as obras de Orff. Jesus del Campo descobriu que com as devidas alterações, a obra de Orff daria um autêntico hino ao techno. Como pudemos constatar os versos de Carmina Burana, criados na idade média, transportavam-nos para um ambiente de festa, de estravagância, de fartura, e mesmo sendo alterada a obra de Orff continua a transmitir-nos essas mesmas sensações quando ouvida na sua vertente techno. Apesar da reação dos públicos ser completamente diferente, o objetivo dos ritmos e da sonoridade da obra de Carl Orff é alcançado, Carmina Burana faz-nos retroceder no tempo na vertente de Orff e faz o público das festas de techno “dançar” pelas batidas de Jesus del Campo, assim sendo é consenso de multidões que não poderia existir melhor remix (na vertente techno da música electrónica) do que a “alteração” da obra de Carl Orff.

 http://www.youtube.com/watch?v=mdO0nBIlWyo

Marcelo Lima, PG 20951

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