2001 – Odisseia no Espaço e a Sinfonia “Assim falou Zaratustra”

Parte 1

2001 – Odisseia no Espaço, é segundo dizem alguns críticos¹ a melhor e mais complexa obra de Stanley Kubrick, e uma das obras que mais nos aproximou do mistério da existência humana. O roteiro foi feito em conjunto com Arthur C. Clarke, notável escritor de ficção científica, do qual resultou o filme falado, e um livro com o mesmo nome.

O filme aborda questões de carácter transcendental como a evolução humana, a luta do homem com a máquina, e o passo seguinte na evolução do homem, a descoberta de que o homem não está sozinho no Universo.

Já de si os temas em questão são difíceis de perceber, o mesmo se passa com o significado do filme. Este usa várias técnicas inovadoras: “É notável pelo seu realismo científico, efeitos visuais pioneiros, imagens ambíguas que se aproximam do surrealismo, som no lugar de técnicas narrativas e o uso mínimo de diálogo”.² E faz uso da complexificação das coisas, em que não percebermos rigorosamente o rumo dos acontecimentos, através de uma estética artística que nos prende ao ecrã: “Apenas ele poderia fazer um filme onde não há o certo e o errado, apenas o complexo em um lugar onde não há nem ar, mas uma bela e sincronizada sinfonia. A combinação perfeita de imagem, som, história, atuação e personagens marcantes.”¹ 

Quando se acaba de visualizar o filme fica-se com uma sensação de estranheza, incerteza, perplexidade, porque Stanley Kubrick é um autor pouco descritivo, e nos obriga fortemente a usar os neurónios. Isto porque: “O sentido não está no entendimento da história, e sim na reflexão que seus temas, principalmente o homem, proporcionam ao público.”¹ É preciso entendermos que mundo é 2001 para nos contextualizarmos, “Sua atualidade, sua ficção e seu deslumbramento se encontram na história, e não em efeitos e ferozes cenas de ação, como a grande maioria dos filmes procuram focar seu interesse.”¹E é um filme de questionamentos, não de respostas, um filme de sentimentos e um desafio à mente de uma pessoa. E acima de tudo, é um filme à frente do seu tempo, porque aborda o desconhecido.   

Bibliografia:

¹ Cunha, Rodrigo. 2001: Uma Odisseia no Espaço (2005). < http://www.cineplayers.com/critica.php?id=576>. Acesso em 30 de Abril de 2012.

² 2001: A Space Odissey. < http://pt.wikipedia.org/wiki/2001:_A_Space_Odyssey>. Acesso em 30 de Abril de 2012

 

Parte 2

 Richard Strauss elaborou a sinfonia “Assim falou Zaratustra” quando tinha 32 anos, em 1896 inspirada no livro homónimo de Nietzche escrito em 1885. Nessa altura já era um autor consagrado com duas obras marcantes, “D. Juan, Morte e Transfiguração” e “As alegres aventuras de Till Eulempiegel”. Todavia a obra que mais o evidenciou foi “Assim falou Zaratustra” com a sua famosa parte inicial. O livro narra a história de um filósofo de seu nome Zaratustra, que fundou uma corrente de pensamento, o Zaratustrismo, que critica o modo de vida que existia no novo testamento, dizendo que os homens devem ser livres, ao invés de fazer o que dizem as instituições. Essa nova forma de liberdade se traduziria no nascimento do Super-Homem.

A sinfonia de Strauss está dividida em iguais secções às do livro, tendo secções como “A grande inspiração”, “Alegrias e paixões” em que se discute a necessidade premente de emoções fortes, que se traduzem naturalmente em virtudes. Aborda a ciência mostrando a fuga à razão, e na parte final em “O convalescente” mostra Zaratustra falando ao povo.

Para Strauss este não pretendeu escrever uma música filosófica, mas ilustrar a evolução do Homem, até à fase do Super-Homem: “Não pretendi escrever uma música filosófica ou transformar o trabalho de Nietzche em música. Eu quis sim transmitir na música uma ideia da evolução da raça humana desde a sua origem, através de várias fases de desenvolvimento, tanto religioso quanto científico, com a ideia do Super-Homem de Nietzche. (…) De longe a mais importante de todas as minhas peças, a mais perfeita em forma, em riqueza de conteúdo e mais individual no carácter.”¹ 

Para Jonh Blanch o autor não faz a representação das palavras de Nietzche, porém ilustra as distintas emoções que o seu discurso proporcionou ao longo do livro. Isso sente-se no facto de que ao longo da obra vamos assistindo a um conflito entre a tonalidade do “Dó” (representação do universo) e a tonalidade do “Si” (representação da humanidade). Estas notas apesar de próximas uma da outra, são distantes em harmonia, representando bem a diferença entre o homem e o universal. Richard Strauss afirma, “Eu quis mostrar que essas duas tonalidades (Dó e Si) simplesmente não podem ser forçadas a ficarem juntas, a peça inteira mostra todos os tipos de tentativas, mas isso simplesmente não funciona. Essa é a verdade.”¹

Em suma o Homem não pode compreender o Universo, mas isso não é razão para que não se sinta livre, escravizando-se com as exigências das instituições.

Bibliografia:

¹ Blanch, Jonh. Nova Visão – Assim falou Zaratustra – Strauss (2010). <http://concertosincero.blogspot.pt/2010/05/quem-decide-agora-e-voce-mes-de-abril.html>. Acesso em 30 de Abril de 2012

Parte 3 

O filme está dividido em 4 grandes secções, todas introduzidas por letreiros, com excepção da 2ª parte. A primeira parte, “A aurora do homem” começa por mostrar um grupo de primatas antecedentes do homem que procuram por comida no deserto africano. Aí sofrem os perigos derivados das suas características sendo um dos elementos do grupo alimento para um tigre. Além disso têm que lidar com grupos rivais também de primatas, na luta por poços de àgua, sendo que no filme perdem o direito a beber àgua. Derrotados, o grupo dorme numa pequena cratera. Todavia ao amanhecer, os primatas percebem que têm diante de si um monólito, e ficam surpreendidos com o acontecimento, pois na altura em que adormeceram, ele não estava lá. Vasculham-no e não percebem os resultados da interação com a pedra negra. Porém pouco tempo depois, os primatas ganham imaginação o que lhes permite fazer de ossos de animais, armas e ferramentas. Isso lhes trouxe uma enorme vantagem no combate com outras tribos, permitindo-os prosperarem, tendo acesso a àgua e alimento. De acordo com o filme, esta súbita imaginação deveu-se ao encontro com o monólito, só que os primatas não o perceberam. Também nesta sequência aquando da descoberta por um dos elementos da tribo, de que os ossos podem ser ferramentas e armas, toca a música “Assim falou Zaratustra”. Aqui ela representa o triunfo do homem e o que este tem de excepcional, a sua inteligência e imaginação.

A parte não titulada, “AMT-1” representa a passagem do período da pré-história para o século XXI. Estamos no espaço numa nave que se encontra em órbita com a terra, e um indivíduo Dr. Heywood R. Floyd tem como missão investigar um acontecimento estranho na base Clavius que se encontra na Lua. Este acontecimento se encontra no maior dos segredos, sendo que surgem mitos de que deverá haver uma epidemia nessa base. Todavia o que há lá é um monólito que se encontrava deliberadamente enterrado, e que quando Floyd se encontra ao pé dele emite uma radiação potentíssima, com o destino a uma das luas de Júpiter. Todavia a principal conclusão que os humanos retirariam desta investigação nesta fase, é que não estariam sozinhos no universo, pois o monólito encontrava-se deliberadamente enterrado há quatro milhões de anos.

Como tal era preciso investigar o caso da radiação emitido, sendo criada a “Missão Júpiter” que contava com o apoio de 5 Homens, todos americanos. Para efeito de poupança de recursos, 2 elementos iam acordados enquanto que outros 3 se encontrariam em crio-conservação. Havia também um terceiro tripulante, com características especiais, que era o computador da nave, HAL 9000 que era capaz de sentir emoções humanas. Este era responsável pela maioria das operações dentro da nave. 

No entanto HAL sabia mais do do que os tripulantes humanos, sabia o segredo desta missão que só iria ser revelado aquando da chegada a Júpiter. Todavia HAL comete um erro acerca de um dos dispositivos que controla as comunicações com a terra, antevendo que este iria deixar de funcionar. Contudo depois de verificado pelos astronautos nada se verifica, deixando-os preocupados com a eficácia do computador. Comunicam com o centro de comandos pedindo-lhes indicações, sendo-lhes aconselhados que desliguem o computador. Todavia posteriormente desta indicação HAL corta a ligação e indica aos astronautas que deve ter ocorrido outra falha no exterior da nave. Dr. Poole responsabiliza-se por isso, contudo é assassinado pelo computador, que lhe corta o oxigénio, quando este já estava no exterior. Bowman aflito com a situação vai em socorro do corpo de Poole, e esquece-se de levar o capacete. Quando consegue recuperar o corpo de Poole, Bowman volta para a nave, contudo HAL impede-lhe a entrada – recordando-o de que ele e Poole planeavam desligá-lo, pois tinha lido os lábios deles, na conversa que eles tiveram à socapa dele. Contudo Bowman não desiste pois ainda tinha outra solução, a entrada pela porta de emergência, porém corria risco de vida pois não levava o capacete. Bowman consegue entrar na nave e depois desliga o computador, que lhe suplica para não o fazer. Todavia os tripulantes que estavam crio-conservados já estavam mortos, e Bowman tinha de fazer o resto da missão sozinho.

Aquando do desligamento de HAL, Bowman é autorizado a ver o vídeo secreto acerca do objectivo da missão, que era investigar o que havia em Japetus, uma das luas de Júpiter, para o monólito da lua enviar ondas rádio para esse local. No capítulo final, “Júpiter e além do infinito”, Bowman sai da nave num casulo e faz uma viagem psicadélica, num mundo de luzes coloridas e paisagens alienígenas. Quando chega ao seu destino, uma sala Luís XVI tem noção de que enlouqueceu, pois não tinha noção que o espaço também fosse assim. Aí se vê de variadas formas, mudando o seu ponto de vista consoante a fase da vida que vivia. Na parte final quando se preparara para morrer, estava numa cama, e à sua frente tinha o tão almejado monólito. Aí se move para o monólito e este lhe concede a imortalidade em feto, dando voltas à volta da terra, e ao mesmo tempo em apoteose toca a música, “Assim falou Zaratustra”. Aí o homem talvez encontrasse Deus, quem sabe, mas não podemos dizer com toda a certeza, porque não conhecemos ainda o universo. Mas para Kubrick  Deus estava no universo, ou não fosse Bowman ficar imortal em feto, dando voltas à volta da terra.

 

 

Mário Teixeira, A55317

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