“A Cultura Popular é um magnífico tesouro que

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A Cultura Popular é um magnífico tesouro que enobrece a alma do nosso país, encantando e dando lenitivo aos nossos corações. Ela abrange um elenco de manifestações que fazem parte do cotidiano do povo; um relicário de valores expressivos que vão se perpetuando através das gerações, e alimentando a memória viva da nação. (Rubenio Marcelo em “O Reino Encantado do Cordel – A Cultura Popular na Educação”)

Trazida para o Brasil pelos portugueses e espanhóis, entre os séculos XVI e XVII, a literatura de cordel logo caiu no gosto popular. Os cordéis, feitos de papel jornal e impressos em gráficas, trazem na capa desenhos simples em xilogravura, que trata-se de uma técnica de reprodução de imagens, muito semelhante ao carimbo, na qual utiliza-se a madeira como matiz para a transferência de imagem ao papel. A xilogravura ainda conserva o traço medieval da cultura portuguesa e é repleta de bichos que pertencem à fauna do sertão nordestino, e também de monstros e animais lendários, cujas origens derivam das tradições bíblicas. Suas ilustrações refletem a herança do imaginário popular.

Estes folhetos com poesia rimada, algumas vezes pendurados em cordões para chamar a atenção do público, daí a origem do nome, difundiram-se primeiramente na Bahia e mais tarde espalharam-se pelos demais estados do Nordeste brasileiro, mantendo forte evidência em Pernambuco, na Paraíba, no Rio Grande do Norte e no Ceará. Atualmente, a literatura de cordel pode ser encontrada em qualquer estado do Brasil, muito embora ainda explore, com maior assiduidade, uma rima rica em expressões nordestinas.

Esta arte que surgiu no Brasil durante o período de colonização, teve o seu maior reconhecimento no século XX, quando então foi fundada no Rio de Janeiro, em 1988, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, criada para reunir os autores contemporâneos deste gênero literário de forte expressividade no país. A partir da criação da Academia, surgiu por parte destes autores uma persistente preocupação com a  uniformização ortográfica e o primor pelas rimas com beleza sonora.

Em sua estrutura, os folhetos de cordel podem apresentar um número variável de páginas. Para contar um fato regional, são utilizados os chamados versos noticiosos, que compreendem 8 ou 16 páginas. Já os romances, que são versos mais longos, podem ficar delimitados entre 32 ou 48 páginas. Os versos são escritos em sextilhas, estrofes de seis linhas, com sete sílabas cada uma. Mas também podem ser encontrados em septilhas ou décimas.

Por difundir-se inicialmente no Nordeste brasileiro, área economicamente mais atrasada, a literatura de cordel chegou a desempenhar o papel de veículos de comunicação como: jornais, rádios e televisões. Por muito tempo, coube à literatura de cordel contar ao povo, através de cantorias ou da escrita, acontecimentos importantes como a morte de alguém famoso na sociedade, os estragos provocados pelas secas, entre outros assuntos de interesse do povo.

Narrativas sobre religião, lendas, viagens, guerras, amores, heróis e relatos do dia a dia eram os assuntos preferidos pelo público do cordel. Não é à toa que esta literatura funciona até hoje como uma importante ferramenta de difusão das tradições populares e do cotidiano de uma região. O cordel tem também grande relevância na manutenção da identidade local e contribui para a imortalização do folclore brasileiro.

A poesia de cordel é uma das manifestações mais puras do espírito inventivo, do senso de humor e da capacidade crítica do povo brasileiro, em suas camadas modestas do interior. O poeta cordelista exprime, com felicidade, aquilo que seus companheiros de vida e de classe econômica sentem realmente. A espontaneidade e graça dessas criações fazem com que o leitor urbano, mais sofisticado, lhes dedique interesse, despertando ainda a pesquisa e análise de eruditos universitários. É esta, pois, uma poesia de confraternização social que alcança uma grande área de sensibilidade. (Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros do século XX)

O vídeo abaixo é um exemplo de literatura de cordel contemporânea, com xilogravuras animadas.


Referências

DIDIER, Maria Thereza. Emblemas da sagração armorial: Ariano Suassuna e o movimento armorial (1970-76). Editora Universitária UFPE.

LONDRES, Maria José Fialho. Cordel – do Encantamento às Histórias de Luta. São Paulo. Duas Cidades, 1983.

Acervo Digital da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – Disponível em: http://www.ablc.com.br

Acervo Digital da Fundação Joaquim Nabuco – Disponível em: http://www.fundaj.gov.br

Acervo Digital do Portal da Educação – Disponível em: http://www.portaleducacao.com.br


Trabalho de Isabela Motta – PG23485 | Sociologia e Semiótica da Arte | Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

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