Punk style by Vivienne Westwood

Vivienne Isabel Swire nasceu no dia 8 de Abril de 1941 em Glossop, cidade inglesa situada no Derbyshire. Mais tarde, mudou-se para Harrow onde trabalhou numa fábrica local, posteriormente como professora de uma escola técnica. O seu primeiro casamento (nos anos 60) deu-lhe o apelido de Westwood. Conheceu Malcom McLaren, um estudante de arte que viria a ser o seu companheiro e pai do seu segundo filho. Este relacionamento mudou a vida de Vivienne: juntos abriram uma loja, que se veio a tornar o centro do punk.

Após a febre do punk, Vivienne provou estar à altura de novos desafios com a colecção intitulada Pirate. Ao longo da sua carreira foi responsável por peças verdadeiramente icónicas, que lhe valeram o título de Designer of The Year por duas vezes. Em 1992 foi-lhe concedido um OBE – The Most Excellent Order of British Empire,  pela Rainha de Inglaterra.

As suas colecções transmitem um forte espírito crítico em relação à sociedade em que vivemos. É conhecida por ser uma grande defensora das artes como forma de contestação (ler o seu manifesto Active Resistance to Propaganda), do meio ambiente e dos direitos humanos, tendo mesmo encabeçado a defesa do prisioneiro Leonard Peltier, alegadamente inocente.

“Becoming a punk in the Seventies was my way of changing the world.” (Vivienne Westwood)

Vivienne Westwood é mundialmente conhecida como a rainha do punk. Esse título deve-se ao seu papel enquanto criadora da indumentária que viria a servir o ideal punk.

Na perspectiva de Price (2012), o visual punk não é unicamente da responsabilidade de Westwood e do seu parceiro da altura, McLaren. A construção do estilo que ainda hoje inspira muitos jovens, mas também os maiores criadores da alta-costura, deveu-se muito à conjuntura de contestação dos valores da sociedade inglesa dos meados da década de 70. No entanto, como menciona “much of their work captured and commodified the energy and iconoclastic tendencies of the movement” (Price, 2012).

O casal McLaren-Westwood vinha, desde os meados dos anos 60, acompanhando as tendências teddy boy e rocker/biker  na sua loja, que mudava de nome consoante o conceito. Em 1974, passaram a integrar o visual sado-masoquista nas suas criações, e estrategicamente apelidaram a nova loja de Sex, como referência ao grupo musical gerido por McLaren e caracterizado por Westwood, os Sex Pistols.

SEX was the center of the punk fashion scene and many young punks hung out, worked, or bought clothes there when they could afford them. Shrewd entrepreneurs, Westwood and McLaren were instrumental in defining and marketing the punk look at the precise moment that it was taking the streets of London by storm. (Price, 2012)

O movimento hippie tinha entrado em declínio, e nas palavras de Vivienne os punks nunca estiveram interessados nas suas roupas (Baxendale, 2012). De facto, as posições ideológicas de ambos os movimentos eram evidentemente contrastantes. Os punks desprezavam a conduta pacífica enfatizada pelos hippies como forma de mudar a sociedade. Pelo contrário, defendiam uma atitude transgressiva, provocadora que deveria chocar pela sua agressividade sonora e estética. Citando Bolton (2013):

Punks lived in present. Central to this philosophy, at least in England, was the anthem “No Future”, which reflected a consensus of opinion that life was wihtout purpose, without prospect, and, above all, without promise. It fostered a nihilism that was deliberately and knowingly mirrored in punks’ appearance. Cropped hair dyed platinum, pale, blank faces with blacked-out eyes, torn, ripped clothes held together with safety pins, and a preference for the color black all comunicated a worldview that was bleak, pessimistic, and apocalyptic.

A inclinação para o sado-masoquismo dos inícios dos anos 70, veio a determinar toda a concepção do look punk, que adoptou os materiais plastificados, o vinil, as chamadas “bondage trousers“, as correntes e mesmo as tachas. Os jeans justos e o blusão de couro preto, que ficou célebre com os rockeres/bikeres foi reutilizado pelos punkers, que lhe acrescentaram as correntes, as tachas e mesmo slogans.

Fundamentalmente, as criações de Vivienne andaram à volta de signos da cultura ocidental como a coroa real, a cruz suástica, motivos nacionalistas, fascistas e comunistas. Estes signos simbolizam o poder, e portanto incorporá-los, de forma bizarra, nas suas roupas era uma forma de ridicularizá-lo e menosprezá-lo, o que evidencia a conducta anárquica do movimento punk. Por outro lado, também a pornografia e a nudez explícita estampada em t-shirts era um habitueé nas suas colecções, tanto que chegou a ser processada por atentado ao pudor.

Punk: Chaos to Couture

Este ano, o Metropolitan Museum of Art decidiu dedicar uma exposição ao estilo punk intitulada “Punk: Chaos to Couture”. Na exposição é possível ver as peças originais das colecções de Vivienne e McLaren dos anos 70, bem como roupas que foram inspiradas nesses mesmos looks ao longo dos tempos.

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Imagens retiradas do blog: http://idiosyncraticfashionistas.blogspot.pt/.

É possível ver o famoso vestido Versace que garantiu a entrada de Elizabeth Hurley para o mundo do cinema.

Na estreia do filme “Quatro casamentos e um funeral”, Hugh Grant, o actor principal, apareceu acompanhado por uma mulher lindíssima, desconhecida até aquele dia, com um vestido que deu que falar. Ousado e sensual, que deixava muito pouco à imaginação, era ao mesmo tempo de uma elegância desconcertante. A influência punk é notória nesta peça.

Na minha opinião, é o exemplo que melhor define a transformação de uma estética marcada pelo “caos” visual iniciada por jovens das classes baixas para uma estética que simboliza a sensualidade e a elegância, características muito apreciadas na alta-costura.

O bom estilista é aquele cujas roupas não são jamais necrófagas das necessidades de comunicação, mas sim elfos de sentimentos e de paixões. (Baldini, 2006)

Se o estilo punk conseguiu ressaltar “sentimentos e paixões”, isso deveu-se indubitavelmente a Vivienne Westwood. Embora, o punk não tenha mudado o mundo, sem margem de dúvida que Vivienne mudou o mundo da moda.

A colecção Pirates consagrou Vivienne Westwood como fashion designer, nos anos 80. No entanto, toda a sua carreira foi marcada pelo punk, e isso vê-se nas suas colecções posteriores.

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A passagem de uma estética marcada pelo caos visual iniciada por jovens das classes baixas para uma estética que inspira o mundo da alta-costura remete-nos para a teorização de Ted Polhemus. Este autor defende que “a moda é gerada pela parte de baixo da escala social” (Riello, 2012), pois a sua situação económico-financeira não lhes permite participar da esfera do consumo burguês e, portanto, resta-lhes criar novos padrões estéticos.
Quando os estilistas se apropriam dos seus elementos e os incorporam nas suas colecções, o alternativo deixa de ser alternativo e passa a tendência. Posteriormente, a tendência passa a integrar as criações das marcas followers, de que é exemplo a Zara. Estas marcas usam e abusam destas tendências de tal forma que a massificação da moda traz consigo uma “chuva diluviana de mensagens” (Baldini, 2006), o que não só dificulta a leitura da componente textual dos visuais, como também lhes retira, em parte, o seu significado.
As colecções de primavera-verão 2013 estão inundadas de referências ao punk: o preto surge em grande força, as tachas estão por todo lado (bolsas, sapatos, pulseiras, colares, etc…), o famoso casaco de cabedal preto voltou em força, entre outros elementos. Mas que significado tem para o consumidor? É só moda ou o indivíduo identifica-se com a ideologia desta subcultura? Isso é relevante para o consumidor comum?

These kids who wear Che on their t-shirts were not even born when Che was killed. People are not being politicised anymore. (…) Consumers are like cockroaches, you spray them and spray them and they get immune after a while. (Vivienne Westwood for I-D Magazine, 2010).

A autenticidade desta subcultura é adquirida pelo processo de reconfiguração identitária, que assume o vestuário como uma extensão da pele do próprio sujeito (Riello, 2012). Sob o lema do “do it yourself” a criatividade e liberdade de expressão artística era incentivada no visual punk.  Riello (2012), refere que desta forma cria-se “um look totalmente pessoal, que não pode ser imitado na produção do vestuário em série“.

A escolha do estilo punk para este artigo prendeu-se com o facto de ser um estilo bem arquitectado sob o ponto visual, pois todos os elementos que o compõem estão revestidos de significado. Desde os pés à ponta do cabelo, o punk mostra-se congruente com a sua ideologia, e é por isso que resulta tão bem. No punk, forma e conteúdo caminham lado a lado: a componente visual assume-se fundamentalmente como meio de comunicação com os outros.

Contudo, coloca-se a questão: terão sido os punkers dos anos 70 realmente autênticos?

Por Francisca Trocado Ferreira (pg21602).

Bibliografia

Baldini, M. (2006). A invenção da moda: as teorias, os estilistas, a história. Edições 70, LDA.

Baxendale, C. (2012). Vivienne Westwood and Postmodern Couture: A Corrupter of Modernism and “ Good Taste ”? in Burgmann Journal, I. Disponível em: http://eview.anu.edu.au/burgmann/pdf/vivienne.pdf

Bolton, A. (2013) Punk: Chaos to Couture. Metropolitan Museum of Arte Publications: New York.

Bohn, C. (2006). Clothing as Medium of Communication. Disponível em: http://www.unilu.ch/files/clothing-as_medium3.pdf

Davies, J. (1996). The Future of “No Future”: Punk Rock and Postmodern Theory. The Journal of Popular Culture, 29(4), 3–25. Disponível em: https://www.commsywiki.uni-hamburg.de/wikis/651782/1320308/uploads/Main/No_Future.pdf

English, B. (2009). FASHION: The 50 most influentional fashion designers of all time. Barron’s Elwin Street Productions: United Kingdom.

Jones, T. (2012). Vivienne Westwood: Designer Monographs Curated by Terry Jones. Taschen: Germany.

  • Vivienne Westwood, i-D, no. 3, 1980. Text Caroline Baker.
  • Vivienne Westwood, i-D, The 30th Birthday Issue, No. 308, Pre-Fall 2010 Text Terry Jones
  • Vivienne Westwood, i-D, The Royality Issue, No. 318, Spring 2012. Text Terry Jones

Price. S. (2012). Vivienne Westwood and the Postmodern Legacy of Punk Style. Disponível em: http://www.metmuseum.org/toah/hd/vivw/ hd vivw.htm.

Riello, G. (2012). História da Moda: Da Idade Média aos Nossos Dias. Edições Texto&grafia: Lisboa.

Outras referências

http://www.biography.com/people/vivienne-westwood-20624587

http://www.vogue.co.uk/news/2012/11/23/vivienne-westwood-explains-punk-motivations

http://www.interviewmagazine.com/fashion/vivienne-westwood – _


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