Reflexão sobre The Idan Raichel’s Project

Idan Raichel

Idan Raichel é um teclista, produtor, cantor e compositor nascido em Kfar Saba, cidade perto de Tel Aviv, Israel.
Ao contrário de inúmeros artistas, a sua família não possuía fortes raízes musicais, o que lhe permitiu desde cedo deixar-se conquistar por músicas de todo o mundo. Foi aprofundando a sua relação com a música e definindo o seu estilo, através da interacção com os seus vizinhos músicos, e mais tarde com a ajuda de outros artistas israelitas.

Em relação à composição das músicas, apresenta-a como um processo complementar a si mesmo, escrevendo apenas quando surge a necessidade de dizer algo, retratando através delas a sua vida, de um modo muito fluído.
Até que chegou a altura em que decidiu criar um projecto, surgindo a ideia de convidar vários artistas, de forma a poder demonstrar numa melhor forma os seus diversos estilos musicais e o seu respeito pelas várias culturas existentes no mundo.
A sua música não pode ser descrita como apenas uma representação das várias culturas existentes em Israel, apesar de estarem bem presentes os textos tradicionais hebraicos, pois também encontramos o jazz, o pop, o folk, que reflectem e combinam sons provenientes do continente africano, da América Latina e do Médio Oriente.
A explicação para o encontro dos vários géneros musicais é nos transmitida pelo próprio,

Israel is a melting pot. We have immigrants from everywhere. They don’t keep to themselves. We don’t have a China Town or close-knit community. We live together and influences rub off.

Apesar de ser um honra para ele ver o seu país ser olhado de outra forma pelos outros países, refere que The Idan Raichel Project não está oficialmente ligado ao governo israelita. Todavia, ele não deixa de querer o que todos os artistas dos outros países querem: representar o seu país através do seu trabalho.

Esta banda é essencialmente um percussor de amor e tolerância entre as várias culturas. Conta com 3 constantes vocalistas, Cabra Casey, Ravid Kahalani e Maya Avraham . Para não mencionar o baterista Gilad Shmueli, (um famoso produtor de vários artistas israelitas, que tem desempenhado um papel importante neste projecto).
No entanto, ao todo é constituída por cerca de 90 músicos oriundos dos 4 cantos do mundo, como o Yemen, Sudão, países oriundos da ex-URSS, Israel, Etiópia, Marrocos, Portugal, Colômbia, Alemanha, Uganda, Ruanda, Cabo Verde.
Funcionando como um encontro de pessoas que se no princípio poderiam achar que apenas a música as ligava, posteriormente esta vai servir de catalizador para a criação de laços de amizade, de um contínuo aprendizado sobre o poderem confiar nas pessoas à sua volta. Não existindo espaço para a imposição de um sobre o seu semelhante. Cada artista tem algo a dizer, algo a partilhar, surgindo tempo e espaço para cada um demonstrar a sua verdadeira essência. Revelam a paixão que cada um partilha pela música, independentemente da língua. Nunca sendo a cultura, género ou a idade (a faixa etária vai dos 16 anos aos 91 anos) um impedimento para que isso aconteça.

a fascinating window into the young, tolerant, multi-ethnic Israel taking shape away from the headline (Boston Globe)

Raichel pretende que as músicas da banda consigam ensinar os vários povos a viverem de modo pacífico uns com os outros. Podendo ser Israel um bom exemplo desta aprendizagem, já que segundo o próprio Idan, a assinatura do Tratado de Paz entre Israel e Palestina, não será suficiente, enquanto os países não percepcionarem os cidadãos dos outros países como vizinhos, vizinhos esses, que não são sinónimo de inimigos. Como ele póprio referiu “Peace as a concept, is for diplomats — but for ordinary people, it’s a different thing”.
Contudo, estas mudanças de visionamento do outro demoram o seu tempo. Mas aos algumas mudanças têm-se feito notar, como por exemplo, o concerto dado no Caesarea Amphiteather, em que para além de criarem no anfiteatro romano uma festa africana, é crucial referir a experiência, (a qual eu só posso imaginar), de estar numa plateia repleta de israelistas, que cantam em uníssono a música “Hitmakrut”, cantada em árabe.

A banda tem conquistado público por todo o mundo, tendo actuado na Índia, África do Sul, Etiópia, Hong Kong, Estados Unidos, Canadá, América do Sul e Central e um pouco por toda a Europa. Podendo-se mencionar alguns espaços conceituados como, The Sydney Opera House, Los Angeles’ Kodak Theater, London’s Royal Albert Hall.
Actuando também em vários festivais e galas (entrega do prémio Nobel da Paz em Oslo, Noruega).


Achei que deveria mencionar neste trabalho o conceito de multiculturalismo. Charles Taylor refere que um país democrático é mais propício a gerar a política do reconhecimento do outro, não devendo, no entanto, a política identitária ultrapassar a liberdade de cada indivíduo.
Michel Wieviorka chega a afirmar que um hibridismo cultural é um factor de inovação para uma região.
No entanto, o termo multiculturalismo, refere não só o direito de todas as pessoas à diferença, mas também descreve a existência de várias culturas numa mesma cidade, país, sem a predominância de nenhuma. Estando estas, separadas em termos de espaço e da socialização. Esta última parte, levou-me a reflectir se sobre os lados menos positivos do multiculturalismo, já que para protegerem as várias minorias criaram-se politicas de discriminação positiva, que nem sempre têm as melhores repercussões nas outras culturas.
Para uma região ou um país poderem ser designados verdadeiramente multiculturais, não basta possuirem no seu território várias culturas, é necessário que estas partilhem os mesmos espaços e convivam entre si.

Podemos ver a contribuição para esta perspectiva através de Wade (1995) quando refere que se deve relativizar e contextualizar a diversidade cultural, criando identidades colectivas, que se devem orientar politicamente mais por aquilo que querem, e menos pelo lugar que cada indivíduo é oriundo; Baumann (1999) demonstra que cada indivíduo ao se consciencializar das suas limitações culturais, vai estar mais receptivo a um maior questionamento e relativização das diferenças existentes entre ele e o outro, possibilitando fenónemos de convergência; e por último, Wieviorka (2002) que menciona que ao existir mais contacto entre as culturas, e uma maior atenção aos diversos pontos de vista entre elas, estarão a suscitar o desenvolvimento de uma maior preocupação face à injustiça social e às desigualdades.


Torna-se impossível ficar indeferente a este projecto, pois para além de arrecadar fãs para a banda, está ao mesmo tempo a incentivar a reflectirmos e agirmos de forma mais humana. Fumentando a contribuição de todos para a promoção da paz e tolerância através da linguagem transversal a todo o ser humano, a música.
Termino com esta citação, à qual nada mais lhe poderia acrescentar.

At the end of the day all people just want to live in peace, dignity and prosperity. (Idan Raichel)

Deixo aqui o link para a visualização do projecto

http://www.youtube.com/embed/m9XH-A6G3LU?autoplay=1&hd=1

Referências electrónicas

Cohen, Yoni. “Concert review: Idan Raichel Project changes it up”. Jpost.com.http://www.jpost.com/Arts-and-Culture/Arts/Concert-review-Idan-Raichel-Project-changes-it-up-316656 (consultado Junho 21, 2013)

Henry, Marshall. “The Wan Fambul/One Family artist roster: Idan Raichel: thebluegrassspecial”http://www.thebluegrassspecial.com/archive/2012/june2012/fambul/fambul-tok-idan-raichel.html (consultado Junho 21, 2013)

Idan Raichel Project. “Biography”. idanraichelproject.com. http://www.idanraichelproject.com/en/biography ( consultado Junho 20, 2013)

Levy-Ajzenkopf, Andy.“Idan Raichel plays Toronto for a cause”.cjnews.com. http://www.cjnews.com/andy-levy-ajzenkopf-staff-reporter/idan-raichel-plays-toronto-cause (consultado Junho 21, 2013)

Martins, Filipe. “Para uma visão crítica da cultura nas sociedades multiculturais. Revisão bibliográfica do conceito de cultura na antropologia contemporânea.”

inducar.pt.http://www.inducar.pt/webpage/contents/pt/cad/paraUmaVisaoCriticaDaCulturaNasSociedadesMulticulturais.pdf. (consultado Junho,21 2013)

Laura Sousa (PG23483)

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