Big Fish do cinema surrealista

“O surrealismo não é um estilo.
É o grito de uma mente virada para si mesma” Antonin Artaud

O movimento surrealista surge na década de ouro, os anos 20, em Paris. André Breton, pai do movimento surrealista, adota a palavra surrealismo (palavra batizada pelo escritor Guillaume Apoillinaire em 1917, Paris) para descrever o seu trabalho literário.

Breton e seus amigos, Philippe Soupault e Louis Aragon, criam em 1919 a revista Literature, que apresenta uma nova escrita, e a oportunidade para vários escritores apresentarem novas experiências. Após a Literature, o movimento surrealista alastra-se por outras vertentes como arte plástica, pintura, escultura, imagem e cinema. Surge um novo movimento que parte de França e espalha-se pelo mundo.

Muitos artistas surrealistas provêem do Dadaísmo. Esta vanguarda artística moderna surge durante a primeira guerra mundial, e caracteriza-se pelo non-sense, ou seja, pela arte sem sentido lógico. Foi um movimento de transição para o surrealismo. Surrealismo atinge o seu auge entre a primeira e segunda guerra mundial.

No cinema, Luis Buñuel realizou filmes que marcaram a história do cinema e do surrealismo como “Un chien Andalou” e “L’âge d’Or”.

Un chien Andalou” é lançado em 1928 por Luis Buñuel com a parceria de Salvador Dalí. Trata-se de um filme completamente diferente do que até então estaríamos habituados. Não existe uma história de senso comum ou qualquer tipo de lógica na transição de cenas. Não existe uma ordem. Um filme baseado em conceitos de psicanálise Freudiana, como a fantasia e o inconsciente.

Para compreender esta breve e vaga explicação vejamos o filme abaixo:

Atenção: este filme pode conter cenas consideradas chocantes para alguns espectadores.

Assistimos nesta película uma compilação de imagens oníricas e metafóricas (imagem da mão com formigas tem significado simbólico do desejo de matar) podendo mesmo considerar a representação de um pesadelo ou uma paranóia.

As imagens deste filme têm como objetivo mexer com o espectador, principalmente nos sentimentos, ao criar atração e repulsa.

Outro grande filme do surrealismo é “L’âge d’Or”, também dirigido por Buñuel e Dalí. Estreou em 1930 com grande impacto por ser um filme anti-burguês e anti-católico. O filme no dia da sua rodagem causara um tumulto no cinema em Paris, devido à sua forte crítica.

Face a isto, surge, inevitavelmente, uma questão. Será que no cinema moderno, ainda existem imagens (ou filmes) altamente influenciadas pelo surrealismo?

Sim. Aliás, na minha opinião pessoal, considero que grande parte dos filmes de fantasia tem muito do conceito surreal. Nomeadamente no que remete à importância do sonho e do inconsciente no argumento dos mesmos. Existe uma série de filmes que poderemos considerar que apresentam cenas surreais. Como “O fabuloso destino de Amelie Polan”, “Delicatessen”, “A cidade das crianças perdidas”, “Big Fish”, “Charlie e a fábrica de chocolates”.

Pode-se até fazer um paralelismo entre a forma dos filmes surrealistas, e a obra de Frida Khalo. Quem conhece a vida e obra de Kahlo sabe que ela não se considerava surrealista, porque as suas obras representavam a sua realidade. No entanto, como podemos observar nas suas pinturas, ela aparece representada em algo surreal. Tal como em muitas cenas de filmes são representados, sonhos, desejos, fantasias, que se identificam com a personagem ou a história (mesmo parecendo que a cena isolada seja completamente ilógica).

Se Frida representava o que sentia, a sua realidade, a sua vida, temos um excelente exemplo de um filme do Tim Burton, “Big Fish”.

Big Fish é uma história baseada no livro “Big Fish: A novel of Mythic propotions” de Daniel Wallace. Tim Burton conta-nos a história de uma reconciliação de filho e pai após 3 anos, porque seu pai se encontrava às portas da morte.

O desentendimento deve-se à revolta do filho com seu pai por considerar não o conhecer, por ser um contador de histórias cheias de fantasia, e a seu ver, muita ficção. Onde estaria a verdade nisto tudo?

Ed. Bloom (o pai) dizia-se um contador de histórias. Sempre que contava as suas histórias, toda a gente ficava encantado e “preso” a ouvir. Era um excelente comunicador e muito sociável.

A história de sua vida começa em criança, quando vive uma grande aventura com os seus amigos, que o desafiam a bater à porta da casa de uma bruxa com olho de vidro. Dizia-se que quem olhasse para o olho, viria a sua própria morte. Ed. viu a sua morte, e sabia que até lá sobreviveria a tudo, é nessa altura que ele decide viver intensamente.

Em adulto, era admirado por todos na sua terra natal, mas apesar de viver numa terra onde era adorado por todos, a sua ambição era grande demais para ficar. Decide partir, pois sentia que era um grande peixe de rio e não podia continuar no aquário.

Quando parte, as suas aventuras pelo mundo começaram, fez grandes amigos, encontra o seu grande amor, e cumpre serviço militar.

A beleza deste filme está na forma como a sua vida é contada. As imagens que contam a história são surreais, como a de um gigante e endireitar uma casa, ou a de um homem que se transforma num lobo, ou ainda uma velha com olho de vidro que mostra como irá morrer. Toda esta fantasia mais que imaginada é representada tornando-se surreal.

Em suma, este filme descreve um conceito de surrealismo, nas histórias de Ed., nem tudo tem de ser lógico ou completamente real.

Posto isto, o surrealismo veio “sistematizar a confusão, e assim, ajudar a desacreditar completamente o mundo da realidade”(Dalí) de todas as vertentes artísticas . Considero a película “Un chien Andalou” revolucionou uma nova era do cinema, isto porque, foi um grande passo para a representação. Por exemplo, nos sonhos, em vez de utilizarem técnicas com cenas obscuras, com imagens tremidas, entre outras, a representação dessas imagens vai muito mais além disso. Surgem rostos sem forma, o que parece real deixa de ser real como um olho vivo virar uma pintura de tela, tudo num seguimento ilógico perfeitamente surrealista.

Bibliografia:
(2000). In F. Bradley, Surrealismo. Lisboa: Editoral Presença.

Sapo cinema. (s.d.). Obtido em junho de 2013, de http://cinema.sapo.pt/filme/big-fish/detalhes#sinopse

Alexandra Mendo PG23020

One response to “Big Fish do cinema surrealista”

  1. Frida Martínez says :

    Que filme lindo! Não há dúvida de que a grande imaginação de Tim Burton e sua força visual para recriar impregnados histórias singularidade estão presentes neste filme. O filme não é apenas uma maravilha visual do melhor de hoje; ele também é uma maravilha da história e refletir sobre o conceito de fantasia versus realidade, as relações entre pais e filhos e muitos outros assuntos; tem a capacidade de mergulhar o espectador em uma atmosfera fascinante que intercepta a partir do primeiro quadro para o último.actor Steve Buscemi deu uma chance, e não me arrependo, porque é o melhor que já vi.

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