Estado D’Arte

Tendo em conta o nosso propósito, consideramos relevante salientar que não existe uma definição substantiva de Arte, uma vez que dificilmente conseguimos encontrar um consenso entre os diversos autores. No entanto, Howard Becker avança com a ideia de que todos os que contribuem para uma obra de arte fazem parte do mundo da Arte, ou seja, uma obra de arte é o resultado de uma cooperação entre vários indivíduos.
A Arte sempre esteve ligada ao poder, nomeadamente, o poder de comunicar com alguém. Também há o poder da propaganda e da sedução e, ainda, o poder simbólico, uma vez que tem o poder de simbolizar (juntar) e não abalizar (separar). Deste, modo, pretendia-se fazer com que as pessoas se sentissem parte de algo.
Em termos sociológicos, não podemos deixar de salientar a passagem da arte artesanal para a arte artística. Neste sentido, na arte artesanal inclui-se ainda a arte cortesã, ou se preferirmos, a arte oficial. Esta é caracterizada por ser uma produção artística encomendada por alguém conhecido pessoalmente, ocupando esta pessoa uma posição elevada na hierarquia social, não sendo necessário que este seja também um produtor de arte. Como tal, podemos afirmar que, com isto, assistimos a um desnível de poder muito acentuado. Recorrendo às palavras de Elias (1993: 161), temos a “Subordinação da inspiração do produtor de arte de cânone de estética de quem faz a encomenda. Arte não especializada, mas sim função para outras tarefas sociais do consumidor (sobretudo como parte do consumo e da concorrência da posição social). Carácter social dos produtos de arte mais marcado, carácter individual menos marcado, simbolizado por aquilo a que chamamos «estilo»”.
No que se refere à arte artística, temos uma produção de obras artísticas, que se destinam a um mercado de compradores anónimos que, como tal, possui intermediários como, por exemplos, editores de música. Contrariamente no que foi exposto na arte artesanal, os produtores das obras de arte ganham mais poder se o seu talento for reconhecido pelo público, conseguindo, deste modo, um maior equilíbrio entre os dois pólos. Como afirma Elias (1993: 161), à uma “Maior independência dos artistas em relação ao cânone estético da sociedade, equiparação social de artista e comprador de arte (democratização)”.
Após esta explicação; a pergunta mantém-se..O que é a Arte?
Os sucessivos cortes na cultura estão a transformar o mercado das artes que vê a sua difusão aumentada e ao mesmo tempo “ameaçada” com as novas tecnologias. Inovar é a palavra de ordem num país onde o estatuto de artista perante a lei se resume a um recibo verde e poucas condições materiais para criar. A má distribuição de subsidios e apoios, a escassez de visibilidade nacional (muitos trabalhos são destacados internacionalmente antes de o serem em Portugal), os sucessivos cortes no orçamento de estado para as artes e a cultura…
Este documentário pretende descortinar aquilo que o publico muitas vezes ignora.. a dificuldade de empreender em terreno arenoso. Fala-se nas condições de trabalho nas artes, em rock alternativo, raízes, identidade, sonhos… Mostra-se o artista, fala-se de arte, do país, do futuro.

Aurora Morais
pg21717

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