Pink Floyd – The Dark Side of the Moon: Money

Ao recorrer à letra desta tão célebre música dos Pink Floyd deparamo-nos com um encontro constante do maldizer do dinheiro “Money, get away”, “Money get back”, “Money it’s a crime” e que, ao mesmo tempo, nas seguintes continuações de estrofes, mostra o apego do mesmo, estabelecendo um constante paradoxo de sentimentos. O uso da hipocrisia é revelado nas pessoas que dizem que o dinheiro não é tudo, mas que, na realidade, o veneram.

            Esta contradição confirma-se logo desde o início, onde começa por aconselhar a fugir do dinheiro – logo na primeira estrofe; na seguinte já recomenda arranjar um bom emprego para se ficar “bem na vida”.

            No decorrer da canção, sobressai o segredo da felicidade pura, que reside na acumulação de grandes quantias de dinheiro: procede-se a um retrato da ridicularização e a noção simplista da vida, onde o dinheiro é tido como a resolução de todos os problemas, e a vida torna-se uma caminhada mais simplificada. O dinheiro é a chave do sucesso, tanto na compra de produtos de alta qualidade como no sucesso de vida. A afirmação “se dinheiro não traz felicidade, então dá-me o teu dinheiro e sê feliz” mostra a complicada relação amor-ódio que se mantém com o dinheiro, e que é intrínseca ao ser humano da sociedade capitalista e consumista.

            A colaboração sinfónica desta música com o vídeo oficial permanece sempre acompanhada com o som da queda de moedas e de uma caixa registadora. Temos presentes imagens sucessivas de iates, carros, operações plásticas, obras de arte, roupa, etc; assim como imagens subliminares do outro eixo do mundo, em que se mostra uma criança africana e a seguir o arroz a cair num funil. A letra e o seu sarcasmo associado funciona e complementa com o ritmo frenético das imagens.

                Conforme uma análise, denota-se um objectivo claro por parte da psicologia da canção. Ele diz para nos libertar do dinheiro mas, no entanto, é uma interpretação pura da ideia de que o dinheiro concede liberdade: liberdade para viver, liberdade para adquirir todos os luxos. Será que, então, a felicidade plena estará sempre associada a cifrões? Será esta a nossa sociedade? 

https://www.youtube.com/watch?v=qKLMtDQoA8Y

 

Beatriz Sousa

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