A segunda vida das canções: os videoclips

Um fenómeno que teve início na década de 70  – ainda que haja quem se aventure a recuar aos anos 50 para reconhecer o início dos clipes musicais -, viu na televisão, até há muito pouco tempo, o seu veículo maior de transmissão. Do lúgubre Thriller à historicidade de Enjoy the Silence, os videoclips vieram revolucionar o impacto mediático das canções, com o canal MTV em lugar central de destaque nesta aposta. “Canais musicais como a MTV, principal expoente do gênero no mundo, transformaram o videoclip em um produto de massa, dando uma amplitude imagética à música e conectando a televisão com os interesses da indústria fonográfica” [1]. Na realidade, e com o acréscimo de impacto desde fenómeno, os vídeos musicais passaram de simples complemento ilustrativo da música a parte integrante do universo mediático do trabalho produzido pelo artista. Hoje vemos nomes como Bob Dylan a revigorar-se (sem perder o seu senso criativo) e a produzir videoclips inovadores e interativos como o que “recentemente” relançou o seu êxito maior, Like a Rolling Stone. É também do imaginário universal as inúmeras e constantes presenças, com danças e manifestações do seu mundo idealizado, das estrelas pop sempre no auge não só na televisão mas, mais do que nunca, na internet, num consumo desenfreado das suas produções.

É óbvio que tamanho fenómeno cultural poderia (e deveria) ser tratado sob pontos de vista que incluíssem os seus sentidos discursivos, o estudo dos seus planos e das mensagens adjacentes, a harmonia entre letra, sinfonia e imagem, entre outros; porém importa-me somente, no pouco espaço a que sou permitido, dar conta do seu peso e valor e das vozes que me parecem suficientemente relevantes para aclarar este assunto.

Seguem-se exemplos de vídeos musicais que, mesmo não tendo tido a mesma fama e o impacto público de um qualquer hit da Madonna, não deixou de marcar legiões de fãs maravilhados por um processo construtivo de reconhecida qualidade:

https://www.youtube.com/watch?v=GpPDH50P74I

https://www.youtube.com/watch?v=P2rtqVma_Ww

https://www.youtube.com/watch?v=gNi0AkVunZQ

https://www.youtube.com/watch?v=LtNFQ7RJbaQ

https://www.youtube.com/watch?v=EjAoBKagWQA

https://www.youtube.com/watch?v=L-wpS49KN00

https://www.youtube.com/watch?v=0OD9wl6ql7k

Björk é, talvez, o nome mais brilhante dos exemplos de fulgor criativo na área dos videoclips. A cantora islandesa é conhecida pela escolha seletiva das suas colaborações de produção e pela plasticidade dos seus temas,  que podem converter-se em peças de inspiração mecânica (Army Of Me) ou em breves musicais clássicos (It’s Oh So Quiet). O seu brilhantismo manteve-se impar nas últimas duas décadas, com início na sua banda anterior, The Sugarcubes, e notabilizou-se pela sua rede hipertextual, de metamorfose permanente, criando e recriando personagens que ficaram marcadas num imaginário poético muito particular. Segundo Denize Araújo, Coordenadora do Mestrado em Comunicação e Linguagens da Universidade Tuiuti, do Paraná: “Como o cenário fluido e moldável do panorama pós-tecnologia digital, sua atuação não só desafia a lógica cartesiana como inventa uma nova maneira de ser, de clonar-se ao se reinventar “outra”, provocando uma alteridade forjada, proporcionada pelas possibilidades digitais. (…) O desejo de transcender o corpo, de ultrapassar os limites do biológico e de incorporar a máquina estão bem visíveis nas diversas Björks, e atingem sua atuação mais relevante em All is Full of Love, quando não se sabe se é a robotização que se humaniza ou o humano que se robotiza” [2].

Fica o link do making of da música: https://www.youtube.com/watch?v=QReuUcQ_c9U

 

[1] SOARES, T. Videoclipe: o elogio da desarmonia.Recife: Livro Rápido, 2004.

[2] http://interin.utp.br/index.php/vol11/article/viewFile/153/138

 

César Carvalho, pg25831

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