Into the Wild (O Lado Selvagem)

A Música tem o inegável poder de despertar em todos nós sentimentos. Por esta razão, é comum o ser humano construir, ao longo da sua vida, uma espécie de relação afectiva com algumas músicas ou sons.
Ao falarmos da relação música-imagem são infindáveis os exemplos desta, a meu ver, perfeita combinação.  
Realizado por Sean Penn, o “Into the Wild” é um desses exemplos onde a conjugação das músicas e letras de Eddie Vedder e os registos da viagem de Christopher McCandless mexe com as nossas emoções. As músicas escolhidas encaixam perfeitamente nas cenas, aumentando a carga emocional e dramática do filme. 
Ao acompanharmos a viagem de Christopher McCandless que pretende encontrar não só uma vida longe de uma sociedade consumista e de mau índole, mas também a sua própria identidade no meio da Natureza acabamos por nos familiarizar com a personagem e aquela viagem, durante aqueles 148 minutos, passa a ser nossa também.
A qualidade visual deste filme é fantástica, as imagens das paisagens naturais levam-nos a querer perfurar o ecrã para ver, cheirar e sentir toda aquela beleza e energia de perto. E estas imagens retratam lindamente o espírito emanado de paixão desta personagem pela Natureza. Chris deseja apenas sair de um mundo puramente materialista de princípios supérfluos e nós, inseridos nessa mesma sociedade da qual Chris foge, terminamos o filme a repensar os nossos valores.
Peguemos na letra da música “Society” integrante na banda sonora deste filme, o refrão diz-nos “Sociedade, sua raça louca, espero que não te sintas sozinha sem mim”; o que encaixa genialmente na intenção de Chris de não se inserir na sociedade comum; “E tu pensas que precisas de querer mais do que aquilo que precisas e até teres tudo, não estarás livre” aqui está retratada a  necessidade insaciável de consumir. 
Outra das músicas marcantes é a “Guaranteed”: “Eles pensam sobre mim e sobre os meus pensamentos, mas eu não sou nada do que eles pensam. Eu tenho a minha indignação, mas sou puro em todos os meus pensamentos…Eu estou vivo.”; “Deixa comigo que eu encontro uma forma de ser, considera-me um satélite sempre a orbitar.”
 Depois de uma longa viagem cheia de perigos, de amizades marcantes e depois de nos ensinar a ver com outros olhos as pequenas coisas da vida Chris chega finalmente ao Alasca onde encontra um autocarro abandonado, intitulando-o de “autocarro mágico”. Assim como fez durante todo o seu percurso, Chris arranja os melhores meios para sobreviver e começa por construir um chuveiro. Aquando o seu primeiro banho a imagem fica em slow motion e escuta-se a música “No Ceiling”: “Vem a manhã e é quando eu posso sentir que não há nada a ser ocultado movendo-se numa cena surreal. Não, o meu coração nunca, nunca estará longe daqui.”;” Tão certo como eu estar a respirar, tão certo como quanto estou triste, manterei esta sabedoria na minha carne e saio daqui a acreditar mais do que nunca.”.  E assim, a música conversa com a imagem de uma forma tão sublime.
Independentemente das emoções que este filme possa provocar, a sua mensagem final é clara e simples: “A felicidade só é real quando partilhada”. 

Imagem

Marisa Filipa Oliveira Pinheiro, PG24790

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