It´s not too much, is it?

 

Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen (1755 –1793), mais tarde conhecida como Maria Antonieta, é casada aos 15 anos com o futuro rei Luís XVI de França. Como um peão no jogo do tabuleiro político do Séc. XVIII, Maria Antónia, arquiduquesa da Áustria, foi levada para a corte Francesa onde não era bem vinda ou não fossem a França e a Áustria velhos inimigos. Longe do seu país foi viver para Versalhes. Maria Antonieta era perseguida pela rígida etiqueta da corte Francesa, pressionada para ter filhos, mas sem poder dizer abertamente que o casamento levara cerca de 4 anos a consumar-se, tinha ainda de levar a cabo a missão que a sua mãe a Imperatriz Maria Teresa da Áustria, lhe tinha pedido “Continue sendo uma boa alemã”. Dentro da corte, Maria Antónieta torna-se triste, taciturna e isolada.

A futura rainha convoca as artes da música, do teatro, da moda, da culinária e do jogo para criar um mundo à parte onde a conjugação de todas estas artes iriam contribuir para se refugiar num mundo onde pudesse usufruir da sua juventude e simultaneamente criar um mundo artificial e fantástico onde era feliz.

Sofia Coppola, atriz, cineasta e produtora transporta a vida desta rainha para o cinema. Apresenta-a como uma epicurista que se excede nos prazer da vida e do consumo como forma de esquecer que não é mais do que um peão entre cortes.

A canção original I want Candy foi escrita pelos The Strangeloves em 1965 e que chegou ao décimo primeiro lugar do Top Americano.

http://www.youtube.com/watch?v=G6Vw9RGm1tM&feature=kp.

Não foi esta a versão usada pela realizadora para descrever o mundo de Maria Antonieta mas sim a versão cantada pelos Bow Wow Wow uma banda britânica de New Wave, formada na cidade de Londres, em 1980 por Malcolm McLaren, produtor da banda de punk rock Sex Pistols. Os elementos eram ex-membros da banda Adam and the Ants, Boy George e a vocalista Annabella Lwin. Vejamos então esta versão da música usada no filme de Sofia Coppola

http://www.youtube.com/watch?v=aMICD3aMZpw

 

Diferenças? Muitas. Do primeiro temos apenas uma imagem fotográfica do disco em vinil onde a letra começa por “ I know a girl who´s soft and sweet..” Na versão dos Bow Wow Wow temos um vídeo clip onde estão presentes todos os ícones da cultura Pop dos anos 80 e uma letra que começa “I Know A Guy Who´s Tough But Sweet”. De uma imagem fotográfica e estática passamos para um vídeoclip de imagens psicadélicas, corpos semidesnudados, roupas ao estilo romântico dos anos 80 de Vivienne Westwood. 

A escolha da realizadora não deverá ter sido inocente ao escolher esta segunda versão da música aos quais junta as imagens de uma Maria Antonieta epicurista, rodeada de cupcakes, maçapães, brilhos, sedas, texturas, gula, excessos e jogo. O resultado obtido foi um dos mais bem conseguidos do filme onde o poder das imagens nos ajuda a compreender a fuga rainha para um mundo da fantasia e do consumo:

 

 

E os ténis All Stars? Um erro? Será que nos poderemos atrever a dizer que não?! All Stars são uns ténis míticos associados à sociedade de consumo, às estrelas de Rock. Maria Antonieta uma estrela de Rock? Talvez a Maria Antonieta de Sofia Coppola tenha sido retratada como uma estrela de Rock a quem associamos uma vida de excessos e cuja a sua morte na guilhotina tenha contribuído para a criação de uma série de narrações, lendas e ditos populares.

“Dêem-lhes todas as satisfações económicas de maneira que não faça mais nada senão dormir, devorar pastéis e esforçar-se por prolongar a história universal; cumulem-no de todos os bens da terra e mergulhem-no em felicidade até à raiz dos cabelos: à superfície de tal felicidade como à tona da água virão rebentar bolhas pequeninas.” Escreveu Dostoievski, no livro, No meu Subterrâneo.

It´s not too much, is it?, pergunta Maria Antonieta como que a querer rebentar algumas bolhas pequeninas. Mas Sofia Coppola, conjugando uma excelente banda sonora com a história de uma rainha, não deixa as bolhas pequeninas rebentarem e continua a transportar-nos para o mundo da Rainha Pop de Versalhes onde o “consumo” invade toda a sua vida tornando-a num espetáculo permanente.

 

Bibliografia:

  • Baudrillard, Jean, A Sociedade de Consumo, Edições 70, 1995, pp 1 a 21.
  • Campo, Luís Melo, A música e os músicos como problema sociológico, Revista Crítica de Ciências Sociais, 78, Outubro 2007: 71-94

 

Maria João Antunes PG 4989

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