Shrek, o anti herói

O filme “Shrek” é um conto de fadas remodelado e inovador, que tem como argumento satirizar os contos de fadas, onde mostra personagens fictícias como se vivessem na nossa época onde a procura pela felicidade através da beleza é notória, assim como a luta entre classes sociais, a falta de carácter de algumas personagens e principalmente o romance entre duas novas personagens de carácter anti heróico.

O sucesso deste filme de animação deve-se principalmente à interactividade que se estabelece com o receptor, à intertextualidade com contos tradicionais da cultura ocidental, aos contos de fadas presentes no filme e ainda à fusão de horizontes e expectativas do emissor e receptor da mensagem fílmica. A criatividade das personagens e os elementos inteligentes da história fazem com que as crianças, os jovens e os adultos se divirtam, uma vez que os produtores exploram a cultura pop para agradar além das crianças, o público adolescente e a muitos adultos que sabem apreciar o enredo, a técnica e o dinamismo do guião apresentado.

O filme começa como um livro de conto de fadas fechado, uma abertura clássica dos contos de fadas tradicionais e o ogre, Shrek a ler um conto de fadas. As páginas são folheadas e a leitura acaba. Começa com: “era uma vez uma linda princesa mas havia um terrível feitiço sobre ela que só poderia ser quebrado pelo primeiro beijo do seu amor. Foi trancada num castelo, guardada por um terrível dragão que cuspia fogo. Muitos bravos cavaleiros tentaram libertá-la desta horrível prisão mas ninguém conseguiu. Ela esperou sob a guarda do dragão, no quarto mais alto da torre mais alta pelo seu verdadeiro amor e pelo primeiro beijo do seu verdadeiro amor.” Após isto começa a tocar uma outra música mais animada ( dos Smash Mouth, banda de rock). Durante essa música, o ogre aparece a cuspir num lago e a arrotar. O espelho até parte quando este o olha. Só por este início, já é possível pensar que há uma certa intenção de chocar quem assiste o filme, pois são aspectos que não são veiculados em novelas, séries e outros filmes, uma vez que fazem parte da intimidade das pessoas. Entretanto neles, o receptor reconhece-se, de modo a que os seus valores contraditórios são incorporados, de uma certa forma.

Contar histórias às crianças é uma tradicional actividade familiar. Estas podem ser criadas no momento ou lidas através de contos tradicionais livros de contos e fábulas, sendo essas histórias por exemplo a Branca de Neve, Pinóquio, Rapunzel, o Gato de Botas, os Três Porquinhos e outros memoráveis contos infantis que mudam de carácter dependendo de quem conta e do tom com que a apresentação acontece . Este filme é portanto uma leitura metafórica dos filmes infantis clássicos dentro do próprio filme. Acaba ainda com o feio Shrek que se casa com a bela princesa Fiona, de modo a que o conto de fadas às avessas teve o seu final imperfeitamente perfeito.

Ao nível da análise das personagens podemos dizer que estas têm traços psicológicos, virtudes/defeitos e atitudes que podem ser reconhecidas nos humanos. Shrek é um ogre verde, feio e mal cheiroso que, solitário, vive a sua vida no pântano, apavorando a vizinhança. Fiona é uma princesa inteligente, doce, frágil e amigável mas uma é também uma mulher moderna, forte e conflituosa. O Burro, é uma personagem cómica, na medida em que fala, canta, dança e não pára quieto. É também o mais fiel amigo de Shrek. No núcleo dos vilões está o Lord Farquaad, personagem pequena, franzina, cabeçuda, vaidosa e covarde.

Em síntese podemos afirmar que estamos perante uma intertextualidade explícita, hetero autoral, nos diferentes contos de fadas e exoliterária. Neste conto de fadas às avessas é possível ainda afirmar que há uma intertextualidade entre o filme e a vida real, havendo uma clara crítica social implícita nele, com o recurso quer à imagem das personagens, quer à animação através da banda sonora e também da animação dos desenhos animados.

Imagem

 

Trailer do filme “Shrek”: https://www.youtube.com/watch?v=jYejzdBwvY4

Jaime Pereira, PG24787

Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura

U.C: Semiótica e Sociologia da Arte

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