Comercial: Valisere, o meu primeiro sutiã a Gente Nunca Esquece.

Comercial: Valisere, o meu primeiro sutiã a Gente Nunca Esquece.

Universidade do Minho

Curso de Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura.

Aluno: José Vicente dos Santos

Email: vicentecodacoda@gmail.com

Professor: Albertino Gonçalves.

Ano: 2015.

 

Descrição do Comercial:

 

A primeira cena do filme, mostra adolescentes com idade entre 11 e 12 anos, fazendo ginástica no que parece ser, em uma aula de desporto escolar. Todas vestindo camisetas brancas e com sutiã, detalhe este, tristemente observado pela adolescente protagonista, pois a mesma não possuía nenhum.

Na segunda cena, já no vestiário, todas as meninas tiram as suas camisas com a maior naturalidade, enquanto a protagonista, timidamente se esconde por trás da porta do armário para poder tirar a sua camisa e não demonstrar para as colegas que ainda não está usando aquele acessório feminino.

Na terceira cena, a protagonista chega em seu quarto, triste, joga a sua mochila no chão e ao mesmo tempo deita na cama, tira os ténis e agarra a almofada como objecto de consolo.

De imediato, curiosa, percebe a presença de um presente em cima da sua cama, ela abre a caixa e encontra o seu primeiro sutiã.

A sua expressão de felicidade é acentuada com um olhar, que demonstra o encontro de um novo mundo, de uma nova fase, pois de menina passa a ser uma mulher.

Maravilhada com o inesperado presente, a menina imediatamente se levanta, tira a sua blusa e diante do espelho, ela observa, admira o seu novo “eu” por causa do tão desejado acessório feminino.

É um momento mágico, um momento único de uma sublime auto-revelação. O seu movimento diante de espelho para melhor observar de como ficou aquele acessório, remete a uma linda dança de valsa, dela mesma, com o seu novo corpo.

É o momento mais artístico do filme, a expressão do seu olhar, a delicadeza em que ela ajeita as alças do sutiã, somado com os seus suaves movimentos diante do espelho.

 

O filme apresenta duas músicas. A primeira vai até o momento em que a menina encontra o presente, em seguida entra uma valsa que faz jus àquele momento de descoberta, acentuando ainda mais quando a menina fica  diante do espelho.

A feminilidade torna-se mais evidente para a adolescente na quarta cena,  quando ela vai na  rua e é observada por um jovem,  timidamente ela  cobre de forma defensiva os seus seios que estavam protegidos pelo novo acessório feminino. Ali nesta última cena, a música volta a ser a primeira, momento em que tudo já está resolvido para a nova mulher.

O comercial encerra com a frase: “ O Primeiro Valisere, a gente nunca esquece”. Frase que se tornou célebre em todo Brasil, até aos dias de hoje. Muitas vezes quando alguém quer expressar algum novo acontecimento, usa essa frase adaptada para a situação adequada, por exemplo: “A primeira Taça Libertadores a gente nunca esquece” ou “A Primeira Casa Própria a gente nunca esquece”.

 

Crítica:

 

Estamos vivendo numa época em que as competições para vender serviços e produtos estão cada vez acirradas pela facilidade de acesso a que as pessoas têm no que se refere às novas tecnologias, e à quantidade de opções que a média tem ao seu dispôr para veicular os seus anúncios. Talvez por este fato, e  somando a falta de talento de muitos publicitários, geralmente encontramos em muitos anúncios, produções caras mas de extremo mau gosto, e que me chamam a atenção, por usarem excessivamente artistas e personalidades como protagonistas, para representarem os produtos, mostrando os seus supostos estilos de vida, na tentativa de criar a ilusão para o expectador. Criando uma tola ilusão , que se , o seu público-alvo ,consumir aquele objecto ou serviço, ali anunciado, terá uma vida glamorosa igual àquela personalidade do comercial.

 

 

O comercial Valisere, mesmo tendo sido produzido há mais de vinte anos, é o exemplo de uma produção que consegue unir a arte com o negócio, sem cair nos costumeiros clichés publicitários. O comercial, descarta a falsa ilusão barata ,para levar o seu público-alvo ,à valorização de uma “real ilusão”, ou seja, uma realidade que toda menina, em um certo momento vivencia, mas que sabemos que, para se tornar mulher é preciso muito mais que o uso de um acessório feminino, no entanto o comercial consegue nos transportar para esta “realidade” nos mostrando o lado positivo da ilusão.

O filme consegue transformar o produto em um signo capaz de possibilitar a transformação da fase infantil de uma menina para a maturidade de uma mulher, sem a necessidade de ter de usar uma personalidade famosa como protagonista, enquanto o objecto de muitos comerciais da actualidade, não têm este poder, por mais que a intenção seja de associar o sucesso das personalidades ali destacadas ao produto enunciado. Pelo contrário, o comercial” Valisere, o meu primeiro sutiã”, faz da menina anónima uma personalidade para ela mesma, numa trama onde os dois são cúmplices um do outro, ela e o sutiã, conseguindo transformar um dia, que aparentemente poderia ser mais um na vida de uma menina( sem contar com a tristeza de se sentir diferente das suas colegas), em uma data inesquecível para ela, por ter sido o dia da descoberta da sua feminilidade.

Nota:

O Comercial “Valisere, o meu primeiro sutiã” foi ganhador dos prémios como o Grand-Prix do Profissionais do Ano e Prémio Colunistas, comercial da década, Ouro no Anuário do CCSP e no exterior Leão de Ouro no Festival de Cannes e ainda escolhido pela crítica internacional como um dos 100 Melhores Comerciais de Todos Os Tempos.

 

Expediente:

Agência: W/Brasil

Cliente: Valisere

Título: “O Meu Primeiro Sutiã a Gente Nunca Esquece”

Ano: 1987.

 

Referências:

JUNIOR, Maria. O conteúdo narrativo no filme publicitário: análise do filme “O primeiro sutiã” (Valisère),2009

http://www.insite.pro.br/2009/Junho/publicidade_narrativa_zemaria.pdf

DEBORD, Guy. A Sociedade do Espectáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997

SILVA, Ellen Fernanda Gomes da; SANTOS, Suely Emilia de B. . O Impacto e a Influência da Mídia sobre a Produção da Subjetividade. In: XV Encontro Nacional da ABRAPSO, 2009, Maceió. Anais de trabalhos Completos – XV Encontro Nacional da ABRAPSO, 2009.

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: